Fotos que contam histórias

Spathi
Magnoliopsida

Ensaio para um bonsai: primeiras flores – Calliandra – 1 ano e meio


Não sou bonsaísta. Assim, chamo essa incursão de ensaio. Talvez a diferença esteja apenas no fato de ter usado o que chamam de “aramação” para conduzir o tronco de forma recurvada durante o primeiro ano.

Um ano e meio após a germinação e a pequena Calliandra se enche de flores pela primeira vez.














Ensaio para um bonsai: Calliandra – ano 1






A grande flor de Pitaya

Hylocereus undatus é o nome do cactus que gera as enormes flores e cujo fruto é conhecido por pitaya.

Muito tempo de preparação, uma noite de duração: assim é a rainha-da-noite, a flor de suave perfume que empresta sua nobreza a todas as demais flores.

O convite especial dessa noite foi para ver o espetáculo da abertura dessas flores incomuns. Irrecusável. E não só pela flor, mas também pelo acolhimento.

A ante-sala com algumas orquídeas faz a transição dos ambientes da casa para o jardim parecer não existir. Abre-se a última porta e descortina-se um imponente Hylocereus onde conta-se para mais de dez flores em plena antese. A seus pés, um pequeno lago, com avencas e bromélias adornando toda a cena. E eu não estou contando tudo.

Não ver essas belezas é um pouco como estar cego!


Crédito: Claudia Musso



Crédito: Claudia Musso



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Um jardim como o do Éden – Encantos

Crédito: Claudia Musso

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Um jardim como o do Éden – As flores

“Bem no alto, quando não mais parece haver como continuar subindo, uma porta conduz a uma velha oficina.

Esse aroma de óleo e madeira misturados tem cheiro de saudade. Vem das antigas ferramentas de ferro, da madeira e tudo o mais que povoa o ambiente.

Local onde a mão que trabalha cada peça ludibria a impaciência do tempo.”

Mesmo aquele caído no mais profundo dos sonos despertará ao simples vislumbre, pois a linguagem dos sentidos remonta aos primórdios, mas ainda encontra-se entranhada em nosso ser, visceralmente.

É através dessa linguagem que as flores que margeiam esses degraus convidam-nos a subir. Galgá-los é deixar-se conduzir.



Crédito: Claudia Musso


Crédito: Claudia Musso




Crédito: Claudia Musso





Crédito: Claudia Musso





Aromas, formas, cores… verde. Que sustenta.

Como é pequeno o nosso grande mundo de concreto.

Protandria em Impatiens

O botão nasce, desenvolve-se e a flor abre.




Permanece aberta entre três a cinco dias, quando então despe-se das pétalas.
Resta então o fruto que desenvolverá as sementes… ou se perderá.

A ocorrência da fecundação depende de interações e sincronismo que a natureza vem cuidando de manter através dos tempos.


Mas em qual momento ocorre a polinização?

Voltemos alguns quadros. Quando a flor abre (antese) pode-se notar que há no centro uma pequena protuberância, uma espécie de cápsula com uma fenda. Abaixo dela vemos a entrada do tubo nectário.


Nessa estrutura encontram-se as anteras, de onde são gerados os grãos de pólen. Com a antese, a fenda das anteras começa a abrir (deiscência das anteras) e só então ocorre a liberação do pólen.

Pouco no início, a liberação passa a aumentar e após 24 horas já é abundante: a flor parece viver uma fase totalmente masculina.

A polinização é a transferência dos grãos de pólen das anteras para os estigmas – parte do órgão masculino (androceu) e feminino (gineceu) da flor.

Mas onde estão os estigmas? Como polinizar manualmente a flor de Impatiens?

Cerca de quarenta e oito horas depois da abertura da flor, o segredo começa a ser desvendado.

A estrutura das anteras e todo o androceu entra em colapso e, em um sobressalto, revela que ele próprio recobria sua porção complementar: vemos então o carpelo (estigma, estilete e ovário).

Essa é uma planta em que o fruto libera as sementes em uma explosão. Literalmente. E ela parece gostar desse tipo de espetáculo, pois também o emprega, em menor escala, ao descobrir o órgão feminino.

A estrutura masculina, que recobria a feminina, rompe-se da flor em sua base e começa a desidratar-se iniciando uma ruptura longitudinalmente, de baixo para cima, até que se desprenda definitivamente como se fosse ejetado.

É quando podemos ver um carpelo novo em flor, com um estigma ainda não receptivo: a flor parece viver agora sua fase feminina.

O estigma começa então a abrir-se como uma flor em miniatura.

O surgimento da “flor” de uma flor é o sinal para a polinização.




A maturação do estigma ocorre bem depois da maturação do grão de pólen: você presenciou a protandria em Impatiens.

Esses processos que dificultam a fecundação de uma flor pelo seu próprio pólen são mecanismos de auto-incompatibilidade. Eles têm sustentação no modelo evolucionário.

Duas flores em duas fases: masculina e feminina

Polinização

As várias faces de Impatiens

A Impatiens, que dentre tantos outros nomes populares também é conhecida como beijo, é fartamente encontrada em listas de plantas invasoras, ornamentais e até medicinais.

A extrema facilidade de enraizamento – uma única folha colocada em água gera raízes em pouco tempo – aliada a um sistema eficaz de dispersão de suas sementes já a colocariam como candidata em qualquer lista de invasoras potenciais. Junte-se a isso o clima favorável que encontrou por aqui e mais uma planta introduzida avança sobre matas e parques brasileiros.

Em Invasões Biológicas – Conservação da Biodiversidade – USP, vemos um gráfico (pág. 17) que mostra seu avanço desenfreado sobre a mata nativa, sem qualquer indício de que a fase de estabilização tenha iniciado. De fato, até mesmo a fase de naturalização não está bem delineada: a planta parece ter entrado direto na fase de invasão, sem escalas.

Andei “arrecadando” Impatiens de cores variadas diretamente das matas invadidas, em um raio de mais ou menos 300 km. É comum ver quilômetros seguidos das margens das rodovias sendo coloridas por beijos.

Mudando de lista… quão bela uma invasora pode ser?











Impatiens

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Dente-de-leão

Taraxacum officinale

Coleus e suas folhas-flores

As flores do Coleus pintam o ar de azul.

Solenostemon scutellarioides

Essas pequenas e delicadas obras de arte vão surgindo formando anéis. Ao final, numerosas flores enfeitam a planta lembrando as luzes de uma árvore-de-natal.

Há quem considere que observar uma flor permite-nos trafegar entre o mundo da forma e o da essência. O vislumbre do belo como ponte para percepção do mais elevado (*).

Se assim for, algo semelhante poderia ser escrito para as folhas do Coleus…

Sua folhagem veste-se com um veludo de tonalidades e recortes, tantos e tão majestosos que olhar que aí passeia faz a mente esquecer-se que não são flores. E trafegamos por aquela mesma ponte.

Não são flores. Nem veludo tampouco. Do lado de cá da ponte, o mundo das formas conta uma verdade que nos parece bem menos convincente.





(*) Veja: Um novo mundo, Tolle, Eckhart.

Coleus

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Cores em flocos

Seria interessante se conseguíssemos vislumbrar a beleza de uma flor por sua semente?

Talvez.  Mas sempre há um certo encanto em colocá-las para germinar e ver o desenrolar de todo o processo.  Estas acima são de Phlox drummondii e mais parecem a fase “patinho feio” dos delicados e coloridos buquês que, se tudo correr bem, formarão.

Eis o que acontece quando entregamos um pouco de terra e água aos pequenos grãos: onze dias depois elas despertam… e quase ouvimos bocejos!

Enquanto os dias cumprem a função milenar de cadenciar o ritmo de seu tempo, os pequenos seres verdes desenvolvem-se…

17 dias

24 dias

34 dias

Inicialmente tínhamos muita terra e pouca planta, mas agora o cenário é o oposto.  A divisão em vários vasos fornecerá mais espaço, necessário aos agora jovens flocos.  A tarefa que exige cuidados é a mesma que o transportará por alguns instantes ao mundo secreto da Natureza.

Phlox

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Hibiscus e os escravos do tempo

Quantas vezes já passei por aqui…

Na esquina da quadra

Por muitas, apenas desviava daquele galho que pendia sobre a calçada que, pensava, deveria ser de pedestre. Muito menores foram aquelas em que reconhecia a flor e pensava: é uma “graxa”, coisa comum onde quer que se vá.

Vivemos os dias em que só as “anormalidades” parecem desviar nossa atenção, somente elas são capazes de roubar uns instantes de nosso precioso tempo, tempo escasso e urgente, do qual viramos escravos.

Duas quadras adiante

Os escravos do tempo costumam sofrer também de cegueira. E outros tantos males, devo admitir. Mas somente quem tiver olhos de enxergar esse laço invisível que lhe toma as rédeas poderá, talvez, vislumbrar através das frestas de uma cegueira inventada.

Quantas vezes já passei por aqui. Isso até está parecendo que é outro lugar…

Flor do frio

Fuchsia x hybrida

Quem é você, Flor do frio?
Porque ainda te aquece
E assim te sustenta,
A mesma mão que, por tantas,
Nem as folhas lhes poupa?

Será uma graça
Pela beleza que ostentas
Não conseguir retirar
A profunda humildade do teu olhar?

Quem é você, Flor do frio?
Que paira suspensa no ar,
Com jeito de estrela,
Vermelha.

Será que teu segredo
É ter abraçado seus tons frios
Por vibrantes cores quentes?

Olhando você
A alma se aquece,
O frio se esconde,
O tempo congela.

Árvore do Colibri

Há bem pouco tempo, antes mesmo de fazer essas fotos, plantas, flores e tais eram para mim seres especiais: fantásticos em sua natureza, exóticos em seus nomes. Tirando uma Acácia alí, um Flamboyant aqui, quase todas eram desconhecidas. Flores? Talvez uma rosa.

Há muito tempo, um senhor que tinha o hábito de plantar qualquer semente que cruzasse seu caminho acabou por transmitir, de certo modo, esse costume. O Semeador talvez até soubesse o nome de algumas espécies, mas isso ele não passou.

Havia uma especial… cujo nome ele não conhecia.

O sol surgindo...

Mesmo assim, como de hábito, mais um pé de “não sei o que” começa a brotar no terreno. Ficava praticamente em frente, no jardim, mas para quem plantava de tudo, era um jardim nada convencional…

Cresceu. Como as rajadas de vento, tal ondas quebrando, que costumavam açoitar a noite serena lá fora, ela também anunciava que avizinhava-se o Natal. Seu aviso era exuberante, dado por intensas floradas.  Era como se respirássemos um ar diferente, renovado. Árvore que dorme à noite. Flor que desperta.

... seus raios avisam à flor de Calliandra que chegou a hora da transformação.

Assim permanece, num viço tamanho, até que o sol da manhã seguinte anuncie que seu tempo acabou: hora de virar semente. Mas as flores da próxima noite já estavam sendo calmamente forjadas, dia após dia, semanas à fio.

Estas flores guardam substância essencial e muito apreciada por colibris, mas sua abertura tardia quase fazia valer o feitiço de Áquila. Então, era sempre aquele desespero, tanto ao anoitecer como ao amanhecer, mas nesses breves instantes eles sempre se encontravam. E daí que passamos a chamá-la de “árvore do colibri”.

O Feitiço de Áquila.

Talvez existam muitas por aí com história semelhante, mas aquela era a nossa árvore do colibri. E o Semeador não viveu para saber qual seria o seu nome exótico, dado pelos homens sábios. E, cá entre nós, como profundo conhecedor da língua que era, suspeito que até teria gostado.

Afinal, a árvore do colibri era uma Calliandra!