Fotos que contam histórias

Spathi
Natureza

Um cometa no perigeu

PanSTARRS atingiu o perigeu hoje, 5-mar-2013. Segue mais registros dessa data:

Dados: Exp 3.2 seg; F/7.1; ISO 800; Objetiva 177.0 mm; 05-mar-2013; pos-processamento “stack” 4 fotos, wb-3500T.

Dados: Exp 1.0 seg; F/5.6; ISO 800; Objetiva 300.0 mm; 05-mar-2013; pos-processamento “stack” 6 fotos, wb-3500T, alto contraste.

Abaixo, uma composição da posição relativa do cometa nos dias 4 e 5 de março. Observe que L4 está “correndo rápido” no céu (aproximadamente 2.6 º por dia) e a cauda do cometa, que tem direção oposta ao Sol, inclina-se à medida que o astro percorre sua órbita. Este fato pode ser visto nessas imagens, onde a projeção da cauda em cada dia parece apontar para um radiante abaixo do horizonte. De forma muito próxima, esse ponto é a posição do Sol.

(passe o mouse sobre a foto)
A posição do cometa no dia 5-mar, à direita nas fotos acima, têm por referência o fundo das estrelas e não a linha do horizonte (vermelha). É preciso notar que as estrelas se movem aproximadamente um grau por dia (movimento aparente devido à translação da Terra) e, ao contrário do que sugere essas composições, o cometa não está “subindo” no céu, e sim perdendo altura.

O gráfico abaixo, superposto à foto obtida em 4-mar, mostra a trajetória aparente que o cometa descreverá. É uma projeção que considera um observador olhando o céu exatamente sempre na mesma hora (neste caso, a hora da foto feita em 4-mar, ou seja, 21:50:08 UTC).

Por esse gráfico podemos inferir que será muito difícil observar o cometa depois do dia 7-mar, pois estará irremediavelmente muito baixo no horizonte.

Visitante longínguo (atualização)

C/2011 L4 PanSTARRS está no céu da tarde, mas é um alvo difícil de ser observado.

A previsão para o seu brilho máximo, que chegou a girar em torno de magnitude zero, foi rebaixada: os relatos atuais apontam que a magnitude do cometa está entre +2 e +3. O perigeu ocorrerá em 05-mar-2013 e o periélio em 10-mar-2013.

L4 está muito baixo no horizonte oeste e dentro da luminosidade do enterdecer. É um alvo muito difícil de ser visto a olho nú, especialmente sob a pesada poluição luminosa das cidades, mas mostra-se bem interessante se visto por um binóculo.

Havia marcado aqui a tentativa de registros fotográficos até o dia 02-mar, mas os últimos dias foram de chuva. A sorte é que, para nossa latitude (-20 º), a janela de observação do L4 ainda está aberta e o tempo limpou bem hoje.

Dados: Exp 3 seg; F/5.6; ISO 320; Objetiva 55.0 mm; 04-mar-2013 18:50:08 (21:50:08 UTC); pos-processamento aumento contraste; L4 +5.47 ° Alt; Sol -11.14 ° Alt

Então, a dificuldade ficou por conta de encontrar um local, até que a Renata (magnífica amiga, hehe) cedeu-nos a privilegiada visão do poente que sua varanda desfruta! Melhor que isso, só estando bem longe da poluição lumionosa, que sempre é grande inimiga.

A foto abaixo é uma composição de 4 fotos, obtidas com os mesmos parâmetros da foto anterior:

(Passe o mouse sobre a foto)

Abaixo, composição de 6 imagens, idem:

Até 3-mar L4 ganhava altura no céu. Depois disso passou a perder altura rapidamente. A janela de observação deve se fechar em poucos dias.

Visitante longínquo

De 20 de fevereiro até 07 de março deste ano (2013) teremos nova oportunidade de acompanhar a passagem de um cometa. É uma janela aproximada, para quem encontrar-se em latitudes ao redor dos 20 º sul. Durante esses dias, pegue uma cadeira e acompanhe o por do Sol até pouco antes do início da noite: um cometa estará ligeiramente a esquerda do local onde o Sol se esconde.

Trata-se do C/2011 L4 PANSTARRS. Embora previsão de brilho de cometas seja matéria conhecidamente pouco confiável, os melhores números das tábuas apontam para valores perto de magnitude zero. Isso é mais brilhante que a Estrela de Magalhães, a Acrux (o “pé” do Cruzeiro do Sul), o que justifica o burburinho que anda causando nos fóruns de astronomia. Já o verdadeiro alvoroço fica por conta do C/2012 S1 ISON (novembro/2013), cuja previsão de brilho é realmente impressionante, mas deixemos isso para mais adiante.

L4 hoje já é um objeto passível de ser visto a olho nu durante os últimos instantes da madrugada e início do alvorecer. Não permanecerá aí por muito tempo, pois já está mergulhando na claridade da manhã e fazendo sua transição do céu da madrugada para o céu do entardecer. As fotos abaixo mostram o que pude conseguir debaixo da grande poluição luminosa da cidade.

Essa foto é uma composição de duas imagens. As contas em forma de colar formada pelas estrela no alto da foto é a constelação Corona Australis, a Coroa Austral. Fácil notar a dificuldade de se encontrar algo com magnitude em torno de 5 quando a poluição luminosa reina. Por acaso, as luzes de um avião deixaram um linha que indica a posição aproximada do cometa. Aumentar o contraste da foto parece não ajudar muito:

Um recorte, ampliando e invertendo a imagem, mostra o L4 (indicado no círculo).

Abaixo, composições de 4 e 3 imagens, respectivamente. Nota-se que, além da poluição luminosa, algumas nuvens também contribuiram para dificultar o registro.

Legendas:

O final da noite trouxe outro alvo difícil de ser fotografado: A Lua em seu último dia de minguante, com apenas 1,3 % da superfície visível iluminada.

Em outro acaso, a ISS (International Space Station) também surgiu e deixou registrada sua passagem, um traço no canto inferior esquerdo da foto seguinte:

No topo da órbita

A entrada do verâo no hemisfério sul (inverno no norte) é marcada pelo instante em que a Terra passa pelo ponto mais alto de sua órbita.

É uma maneira interessante de identificarmos o solstício de verão no hemisfério sul, mas algo mais precisa ser dito para entendermos o que seria o ponto mais alto em uma órbita sabidamente plana!

Tendo o Sol por referência, a Terra orbita ao redor deste (translação) percorrendo um caminho estritamente contido em um plano, que é chamado plano da ecliptica. Por outro lado, o eixo de rotação do nosso planeta tem uma inclinação de ~23,4 º se comparado com o plano da ecliptica. Essa inclinação é um dos acasos mais espetaculares que possibilitaram a vida na Terra. Se posicionarmos a Terra de tal forma que seu eixo de rotação fique em uma configuração vertical, o plano da ecliptica é que estará inclinado de ~23,4 º.

Adotando essa referência e definindo a orientação Norte como sendo para cima, a Terra passará metade de sua órbita em uma trajetória ascendente enquanto a outra metade será descendente. O ponto mais baixo da órbita é o solstício de verão no hemisfério norte e o ponto mais alto é o solstício de verão no hemisfério sul.

Ainda, considerando uma órbita circular, o Sol encontra-se no centro da órbita, portanto, metade da altura entre os solstícios. Partindo de um dos solstícios e dividindo a órbita em quatro partes iguais, os dois novos pontos encontrados são os equinócios e encontram-se na mesma altura do Sol. Tal como os solstícios, os equonócios são pontos diametralmente opostos. Esses quatro pontos da órbita terrestre demarcam o início das estações do ano.

Esse sistema de referência permite distinguir os solstícios com certa facilidade: se estamos no ponto mais alto da órbita então o Sol está abaixo de nós, logo, ele ilumina a porção polar “inferior” da Terra. Com nossa orientação de Norte para cima, a porção polar sul é que está iluminada. Temos solstício de verão no hemisfério sul. Já no ponto mais baixo da órbita temos o Sol acima de nós, logo, ele ilumina a porção polar norte, ou seja, solstício de verão no hemisfério norte.

Avançando um pouco mais nesse modelo, durante os seis meses entre o solstício de verão no hemisfério norte e o solstício de verão no hemisfério sul, o Sol, que iluminava a porção polar norte, passará a iluminar a porção polar sul. Isso quer dizer que “de alguma forma”, o sol descreverá, para nós, uma trajetória aparente que segue a direção sul. Isso é exatamente o que vemos se acompanharmos o nascer do Sol ao longo dos meses entre o inverno e verão (hemisfério sul): o Sol desloca-se para o sul.

O solstício de verão no hemisfério sul ocorre quando o Sol atinge a posição mais ao sul de todo o ano (máxima declinação sul). Essa é outra maneira de definir o solstício (verão, sul). Se o solstício de verão (S) é marcado pelo instante de máxima declinação sul, isso quer dizer que o Sol iniciará sua trajetória aparente de retorno já no dia seguinte ao solstício. O solstício marca o instante da inversão de sentido no caminho aparente que o Sol percorre. Ou seja, com o início do verão (S) os dias invertem imediatamente uma tendência que durou 6 meses: de dias cada vez mais longos (e noites mais curtas), passam a dias cada vez mais curtos.

O “ponto de retorno” (solstício) da trajetória aparente do sol pode ser observado na prática, como mostram as fotos abaixo, obtidas durante o nascer do sol nos dias que precederam o solstício de verão (S).

Simulação:


Simulação vs. Real:



(para navegadores incompatíveis – gif animado)

“Gráfico” vertical:


A Terra passou pelo ponto mais alto de sua órbita hoje. O solstíco ocorreu às 11:11 UTC de 21dez2012. O início do verão no hemisfério sul marca o dia em que sol inicia seu retorno para o hemisfério norte.

Astro Rei

Esses são os dias que antecedem o fim da primavera.






Cores em gotas





“O delicado som do trovão”


Guardados na memória dos seres, esses ecos parecem imprimir algum tipo de experiência temporal, como se o tempo parasse até que o fim dos ecos permitam que a marcha continue. Raio e trovão transmitem-nos uma miríade de sensações.

Da admiração ao medo, da beleza à destruição, a Natureza, alheia, sempre segue exercendo sua soberania.




Alguns registros com a câmera fotográfica.






Alvorada

Reverências ao novo dia…

Lua e Vênus

O sobrevivente

C/2011 W3 – ou simplesmente Lovejoy – é o nome do cometa que sobreviveu por mais de uma hora a um dos ambientes mais agressivos que temos pelas redondezas: a coroa (corona) solar.

Lovejoy é um rasante-solar, considerado um “irmão” do Ykeya-Seki, o grande cometa de 1965 e tido como provável mais brilhante do último milênio. Chamados irmãos por derivarem de um mesmo objeto, um cometa verdadeiramente grande que se partiu há tempos remotos e deixou incontáveis fragmentos de não menos incontáveis tamanhos, todos seguindo uma órbita muito próxima a do cometa “pai”, gerando uma “família” de cometas rasantes-solares.

A cada semana, dois ou mais desses fragmentos menores são captados pelos olhos eletrônicos de sondas espacias que vivem para espreitar o Sol. Praticamente todos têm o mesmo destino: serem vaporizados. Um instante que finaliza uma existência de, provavelmente, bilhões de anos.

Se considerar que nossa estrela tem um diâmetro equivalente a duas unidades, o raio solar terá uma unidade. Um rasante-solar desses não passa a mais de 1,2 raios solares do astro-rei. É essa região, dominada por temperaturas que chegam a casa do milhões de graus celsius, acrescida da intensa radiação recebida de um sol tão próximo que faz o trabalho de subtrair mais um cometa dos céus. Nos momentos finais, os mini-cometas, que nunca foram registrados antes por qualquer instrumento humano, viram alvo fácil pois passsam a brilhar intensamente até desaparecem.

Quase todos seguem a mesma trilha. Os fragmentos maiores contam histórias diferentes. Ikeya-Seki foi um deles. Também o grande cometa de 1843 e outros. Desafiam o Sol, aproximam-se e o contornam para então retornarem aos confins do sistema solar. E nessa passagem deixam seus nomes em toda sorte de registros humanos, dos antigos aos novos, como o grande cometa que brilhou, dominou os céus e as atenções, surpreendeu e assustou, ficou visível durante o dia.

Dez entre dez especialistas apostavam que Lovejoy, apesar de um pouco maior, seguiria o destino de sucumbir ao Sol. Mas o C/2011 W3 veio para contar a sua própria história. No dia 16dez2011 contornou o Sol e não só sobreviveu, mas ressurgiu do outro lado ainda mais brilhante. Novamente, muita gente ficou espantada enquanto outras tantas precisam ainda explicar como um objeto desses resistiu aos milhões de graus celsius por mais de uma hora.

Fato é que, logo após contornar o Sol, Lovejoy tornou-se um objeto observável para os habitantes do hemisfério sul do nosso planeta, durante os momentos que antecedem o amanhecer. E posso dizer que em mais de 20 anos ele é, se não o maior, dos maiores cometas observáveis nesse hemisfério, embora não seja o mais brilhante.

Curioso como um objeto assim não tenha atraído sequer uma fração da atenção despertada pelo famoso cometa Halley, em 1986, cuja aparição foi infinitamente menos interessante. Sem contar o simbolismo natalino incorporado pelo Lovejoy. Uma justificativa é a de que a poluição luminosa das cidades praticamente impede sua visualização, mas com um brilho ligeiramente superior ao da Via-Lactea e mais de 15 graus de extensão da cauda de poeira, é objeto impressionante para qualquer zona, mesmo que apenas ligeiramente afastada dos centros urbanos. Nos céus estrelados do interior, torna-se espetáculo garantido.

Entretanto, a fase mais brilhante já passou. O cometa está afastando-se do Sol e perde brilho rapidamente, desaparecendo gradativamente à medida que os dias se sucedem. Enquanto isso não ocorre definitivamente, acordar uma hora antes do Sol nascer e um céu com pouco poluição luminosa é o suficiente para observar a mais nova “Estrela de Belém”, até que retorne… daqui a 678 anos!

O cometa Lovejoy visto de uma zona com poluição luminosa média. Foto sem pós-processamento, registrada com ISO800, F3.5, exposição de 30 segundos.

Imagem composição (3 fotos), pós-processada. A estrela mais brilhante na parte inferior esquerda é Antares, alfa de Escorpião. As duas estrelas mais brilhantes na parte superior, logo a direita da cauda do cometa são, de baixo para cima, alfa e beta Centauri (depois do Sol, alfa-Centauri é a estrela mais próxima da Terra). A cauda do cometa está sobre uma região da Via-Lactea.

Foto durante o amanhecer, ISO800, F3.5, exposição de 30 segundos, pos-processada. O ponto brilhante mais baixo e na parte esquerda dessa foto é o planeta Mercúrio (Antares está logo acima e a direita do planeta)

Admirável natureza – gotas








Composições das chuvas

Estes sons fazem lembrar Storms In Africa.


Um vaso, pedras e alguns dias seguidos de chuva.  O que se pode esperar disso?



Água flutuando sobre água? E não é milagre…

Água flutuando sobre vida. Faz lembrar China Roses.


Água para matar a sede do verde. Para chegar aqui, os viajantes percorreram grandes distâncias, até de forma mudaram. Há poucas dezenas de pequenos mundos de um 1-2 milímetros.

Agora observe bem… se contar os minúsculos mundos, há centenas, talvez milhares.

E dois reluzem como estrelas amarelas. Parece mentira?

O rio lilás segue seu leito entre florestas globulares“. Parece verdade?

Água. Parece milagre.

Gotas de chuva

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